UE avalia usar “bazuca comercial” contra EUA após ameaças de Trump ligadas à Groenlândia
- Lucas Jandre
- 19 de jan.
- 1 min de leitura

A União Europeia estuda recorrer ao chamado Instrumento contra a Coerção Econômica, apelidado de “bazuca comercial”, em resposta às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas a países europeus que se opõem à proposta americana envolvendo a Groenlândia. A iniciativa vem sendo defendida especialmente pela França, que vê nas declarações de Trump um caso claro de pressão econômica indevida.
Criado em 2023, o instrumento permite à UE adotar medidas amplas e contundentes contra países que tentem forçar decisões políticas por meio de sanções comerciais ou restrições econômicas. Entre as possíveis ações estão a elevação de tarifas, restrições a importações e exportações, limitação do acesso de empresas estrangeiras ao mercado europeu e até bloqueios a investimentos e contratos públicos no bloco.
A crise se intensificou após Trump sinalizar a aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos de países europeus, incluindo França, Alemanha e Dinamarca, caso não haja avanços em sua proposta relacionada à Groenlândia — território autônomo sob soberania dinamarquesa. Líderes europeus classificaram a postura como uma tentativa de chantagem econômica.
Apesar da pressão francesa, a União Europeia ainda não acionou formalmente a “bazuca comercial”. Em reuniões recentes, os Estados-membros decidiram priorizar canais diplomáticos e manter o instrumento como uma opção de último recurso. Mesmo assim, um pacote de retaliações comerciais já estaria preparado, envolvendo dezenas de bilhões de euros em tarifas sobre produtos norte-americanos.
O episódio marca um teste decisivo para a nova ferramenta da UE, que nunca foi utilizada desde sua criação, e pode redefinir a forma como o bloco responde a disputas comerciais e políticas, inclusive com aliados históricos como os Estados Unidos.






Comentários